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Transformando a cadeia de abastecimento agroalimentar
O impacto do Regulamento da UE sobre a Desflorestação (EUDR) nas empresas do setor de alimentos e bebidas
Introdução
Em 19 de abril de 2023, foi dado um passo significativo na luta contra o desmatamento, quando o Parlamento Europeu aprovou o Regulamento da UE sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). Esse novo regulamento, voltado para a importação de madeira e produtos agrícolas extraídos ilegalmente, deve transformar a cadeia de abastecimento agroalimentar, especialmente para as empresas do setor de alimentos e bebidas. A seguir, apresentamos uma análise detalhada do EUDR e suas implicações para os setores de alimentos e bebidas.
Em nosso artigo anterior, destacamos que as principais causas do desmatamento estão ligadas à agricultura e à expansão econômica. Embora grande parte de nossa discussão tenha se concentrado nos incentivos, ou “cenouras”, para promover a conservação florestal, a nova lei da UE contra o desmatamento representa uma abordagem mais enérgica, atuando como um “bastão” contra as organizações que contribuem para o desmatamento global
Entendendo o Regulamento da UE sobre a Desflorestação (EUDR)
O Regulamento da União Europeia sobre a Desflorestação (EUDR) é uma lei pioneira que visa impedir que as empresas da UE importem produtos associados à desflorestação ilegal e à degradação das florestas. Esse regulamento visa especificamente produtos-chave como madeira, soja, óleo de palma, carne bovina, café, cacau, couro e certos derivados. Ele também abre espaço para a inclusão de produtos adicionais, como algodão e tecidos, num futuro próximo. As grandes empresas terão um período de carência de 18 meses para se adequarem às novas regras. O não cumprimento poderá resultar em multas que podem chegar a 4% do faturamento anual da empresa na UE.
O novo Regulamento da União Europeia sobre a Desflorestação (EUDR) impõe requisitos específicos às organizações que importam determinados produtos para a UE. Nos termos deste regulamento, os importadores devem fornecer informações detalhadas sobre a origem dos produtos, incluindo coordenadas geoespaciais precisas, ao sistema de monitoramento da UE. Essas informações permitem uma devida diligência minuciosa para garantir o cumprimento das normas ambientais. Além disso, os importadores são obrigados a realizar e relatar uma avaliação de risco de desmatamento para cada região onde os produtos são produzidos. Essa abordagem abrangente visa criar transparência e responsabilidade na cadeia de suprimentos, contribuindo assim para os esforços mais amplos da UE no combate ao desmatamento e na promoção de práticas sustentáveis.
Como o EUDR se alinha aos esforços globais
Essa lei não é uma iniciativa isolada; ela faz parte de um movimento global mais amplo para promover a produção sustentável. Regulamentações semelhantes foram aprovadas no Reino Unido, e os Estados Unidos apresentaram um projeto de lei relacionado. A determinação mundial de conter o desmatamento foi ainda mais reforçada por um compromisso recente de US$ 500 milhões destinado especificamente à proteção da Amazônia.
Possíveis benefícios ambientais do EUDR
O Regulamento da União Europeia sobre o Desmatamento (EUDR) foi concebido para combater as emissões globais de gases de efeito estufa e salvaguardar a biodiversidade. Ao concentrar-se nos produtos que levam ao desmatamento, a UE está tomando uma posição para mitigar as emissões de GEE e proteger os habitats de espécies ameaçadas. O impacto dessa lei é substancial; estima-se que ela preserve uma área florestal do tamanho de 100.000 campos de futebol e evite a emissão de até 40 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente (MTCO2e) anualmente.
Desafios na implementação do EUDR
O cumprimento do Regulamento da União Europeia sobre a Desflorestação (EUDR) pode representar desafios significativos para as empresas, especialmente no que diz respeito aos requisitos de devida diligência e à rastreabilidade dos produtos. A lei exige uma análise rigorosa das práticas de abastecimento, o que pode ser complexo e demorado, especialmente para as PMEs dos setores agroalimentar ou de bens de consumo embalados (CPG), que dependem de diversas cadeias de abastecimento e produtores. Além disso, o regulamento poderia inadvertidamente levar a disputas comerciais ou até mesmo deslocar a desmatamento para regiões com normas ambientais menos rigorosas. Esse fenômeno, conhecido como “vazamento”, já tem sido motivo de preocupação.
Além disso, essas regulamentações não são motivo de preocupação apenas para os importadores da UE, mas também afetam os exportadores e produtores nos países de origem. Isso ficou evidente nas respostas da Malásia e da Indonésia, que, nos últimos meses, expressaram abertamente suas reservas e objeções à regulamentação. Suas reações destacam as possíveis consequências indesejadas e as complexidades da implementação e aplicação de tal lei em nível internacional, refletindo os desafios mais amplos da cooperação global na luta contra o desmatamento.
Impacto nas empresas do setor de alimentos e bebidas
O Regulamento da União Europeia sobre o Desmatamento (EUDR) terá um impacto profundo nos setores de alimentos e bebidas, introduzindo requisitos rigorosos que vão além da mera conformidade. As empresas desses setores precisarão examinar meticulosamente a origem dos ingredientes para garantir a conformidade com práticas sustentáveis, especialmente no caso de produtos associados ao desmatamento, como óleo de palma, soja e cacau. As embalagens também serão alvo de escrutínio, com ênfase na redução de resíduos e na promoção de materiais recicláveis.
Além disso, o EUDR exige transparência na divulgação do impacto ambiental, obrigando as empresas a divulgar suas iniciativas de redução de resíduos e abastecimento sustentável. Essas novas regulamentações inevitavelmente aumentarão as despesas operacionais (OPEX), à medida que as empresas investem em novas tecnologias, certificações de terceiros e auditorias abrangentes da cadeia de suprimentos para cumprir as normas.
No entanto, a adesão ao EUDR não se resume apenas ao cumprimento da regulamentação; ela representa uma oportunidade para as empresas reforçarem suas credenciais de sustentabilidade. Ao se alinharem com a regulamentação, as empresas podem se posicionar como líderes em práticas ecológicas, atendendo à crescente demanda dos consumidores por produtos responsáveis. Embora o investimento inicial possa ser substancial, os benefícios de longo prazo, como o fortalecimento da reputação da marca e o potencial crescimento do mercado num cenário de consumo cada vez mais ecologicamente consciente, podem superar os custos.
Conclusão: Como lidar com o Regulamento da UE sobre a Desflorestação
O Regulamento da UE sobre a Desflorestação é uma lei histórica com implicações de longo alcance para a cadeia de abastecimento agroalimentar, bem como para os setores de bens de consumo embalados (CPG), silvicultura e celulose e papel. Ao compreender o Regulamento da UE sobre a Desflorestação (EUDR) e seus requisitos, as empresas podem se posicionar para prosperar em um mercado mais sustentável e ambientalmente consciente e garantir um crescimento econômico de longo prazo.
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