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Biocombustíveis em ascensão: como a expansão das certificações está tornando a rastreabilidade um imperativo estratégico
À medida que os mercados de bioenergia se expandem e os sistemas de certificação, como ISCC, 2BSvs, RSB e RenovaBio, tornam os requisitos mais rigorosos, a rastreabilidade unificada está se tornando fundamental para o acesso ao mercado.
Introdução
O mercado global de bioenergia tem registrado um forte crescimento nos últimos anos, com o tamanho do mercado estimado em um aumento de US$ 296,09 bilhões em 2024 para US$ 323,44 bilhões em 2025, representando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 9,2%. Esse crescimento tem atraído cada vez mais atenção para o setor. Além disso, novos padrões de sustentabilidade e rastreabilidade estão contribuindo para um escrutínio regulatório mais intenso e para a ampliação dos requisitos de conformidade.
As equipes responsáveis pela certificação, conformidade e sustentabilidade frequentemente enfrentam dados fragmentados dos fornecedores, requisitos de certificação sobrepostos e ciclos de auditoria reativos que exigem recursos internos significativos, conhecimento especializado e aumentam o risco de não conformidade.
Como observa Talita Asano, especialista em sucesso do cliente e certificações da Marvin:
“O acesso ao mercado depende agora de um desempenho comprovável e do cumprimento das normas internacionais. A certificação não se resume apenas ao cumprimento das regulamentações; é a forma de ingressar em mercados de exportação de alto valor.”
O setor global de bioenergia
A bioenergia tornou-se um elemento fundamental da transição global para as energias renováveis. Em 2025, ela forneceu cerca de 9% da energia total mundial, apresentando um crescimento constante nos setores de eletricidade, aquecimento e combustíveis para transporte (Associação Mundial de Bioenergia, 2025). Os incentivos políticos, a demanda das empresas por opções de baixo carbono e os compromissos internacionais de descarbonização estão impulsionando esse crescimento.
Além dos veículos elétricos e da energia descarbonizada, novas categorias de combustíveis de baixo carbono para o transporte estão acelerando essa tendência. O combustível de aviação sustentável (SAF) e os combustíveis marítimos sustentáveis (SMF) foram concebidos para reduzir as emissões em setores onde a eletrificação ainda não é viável, como a aviação de longo curso e o transporte marítimo. Embora o SAF ainda represente uma pequena parcela do consumo global de combustível de aviação, mandatos vinculativos na Europa e estruturas de incentivos em expansão em todo o mundo estão impulsionando uma adoção crescente. Uma pressão semelhante está surgindo no transporte marítimo, à medida que reguladores e proprietários de cargas exigem alternativas de baixo carbono aos combustíveis convencionais. Nos Estados Unidos, o Crédito de Produção de Combustível Limpo, previsto na Seção 45Z do código tributário federal, vincula incentivos fiscais diretamente à intensidade de carbono ao longo do ciclo de vida, reforçando o valor financeiro das reduções verificáveis de emissões.
Essas novas categorias de combustíveis não se limitam a criar demanda; elas também elevam os padrões de exigência em termos de documentação. Os produtores devem agora comprovar não apenas o desempenho em termos de carbono, mas também a rastreabilidade completa da origem da matéria-prima, a conformidade com as normas de uso da terra e a integridade da cadeia de custódia em todos os mercados.
Na Europa, os marcos regulatórios estão definindo como esses requisitos são aplicados. As Diretivas de Energia Renovável (RED) da União Europeia estabelecem regras vinculativas de sustentabilidade e limites de gases de efeito estufa para a bioenergia, implementadas por meio de sistemas de certificação reconhecidos.
Embora as diretivas RED tenham origem na UE e os incentivos fiscais da Seção 45Z sejam aplicados nos EUA, sua influência combinada se estende muito além dessas regiões, moldando a forma como a bioenergia é produzida, certificada e comercializada nos mercados globais.
Nesse contexto global, o setor de biocombustíveis do Brasil representa um ponto-chave no comércio internacional e no cumprimento das normas de sustentabilidade. O programa nacional RenovaBio certifica mais de 90% da produção de etanol e já ajudou a evitar mais de 147 milhões de toneladas de emissões de CO₂ desde o seu início. O programa também garante que a produção nacional atenda aos padrões internacionais de sustentabilidade (Agência Nacional do Petróleo, 2025).
Com tantas regras e mudanças no mercado, os produtores precisam se manter atualizados. Quatro esquemas de certificação tornaram-se especialmente relevantes para os produtores brasileiros. Para lidar com essas regras, os produtores brasileiros contam com quatro principais esquemas de certificação no âmbito da Diretiva Europeia de Energia Renovável (RED):
Principais estruturas de certificação: escopo e convergência
- ISCC (Certificação Internacional de Sustentabilidade e Carbono)
Estabelece uma norma global para biomassa agrícola, resíduos e materiais de base biológica. É utilizada principalmente por produtores e exportadores que fornecem biocombustíveis aos mercados europeus, garantindo que a sustentabilidade e as reduções de carbono sejam verificadas ao longo de toda a cadeia de abastecimento (ISCC, 2025).
- 2BSvs
Este programa tem como foco a rastreabilidade e a transparência da cadeia de abastecimento. É reconhecido pela Comissão Europeia e destina-se a empresas que precisam demonstrar conformidade com as normas de sustentabilidade da UE, especialmente no que diz respeito aos biocombustíveis que entram nos mercados regulados pela Diretiva sobre Energias Renováveis (RED) (2BSvs, 2025).
- RSB (Mesa Redonda sobre Biomateriais Sustentáveis)
Vai além da conformidade regulatória, incluindo requisitos sociais e de governança, como normas trabalhistas, direitos humanos e envolvimento com a comunidade. É adequado para produtores e organizações que desejam demonstrar um desempenho ESG mais abrangente, juntamente com métricas de carbono e sustentabilidade (RSB, 2025).
- RenovaBio (Brasil)
Estrutura nacional de certificação do Brasil. Ela vincula reduções verificadas de GEE a créditos CBIO negociáveis e se aplica principalmente aos produtores nacionais de etanol. Para as empresas que exportam para a Europa, ela também ajuda a cumprir os requisitos alinhados com a RED, uma vez que sua contabilidade e auditorias de GEE correspondem cada vez mais às expectativas europeias (ANP, 2025).
Talita Asano destaca:
“Lidar com vários programas de certificação pode ser complicado, mas é essencial para o acesso ao mercado. Compreender os requisitos de cada certificação e, mais importante ainda, suas inter-relações, garante a conformidade e preserva a integridade da cadeia de suprimentos.”
Apesar das diferenças em termos de escopo e localização geográfica, todas as quatro estruturas compartilham requisitos essenciais: reduções verificadas de GEE, origem documentada da matéria-prima, sistemas de cadeia de custódia auditáveis e rastreabilidade desde a origem até o usuário final. O desafio surge quando os produtores precisam seguir vários esquemas ao mesmo tempo, cada um com documentação, auditorias e formatos de relatório ligeiramente diferentes.
A seguir, preparamos uma tabela comparativa com os requisitos de cada regulamentação:

Rastreabilidade: de um simples requisito de conformidade a um pilar estrutural
Como se pode ver, a rastreabilidade é imprescindível para todo o sistema de certificação. O RED exige que os operadores comprovem que as matérias-primas de biomassa atendam aos critérios de uso da terra e sustentabilidade, e que a redução de GEE realmente exceda os limites exigidos. Isso significa manter uma cadeia de custódia verificável que conecte fornecedores, processadores, comerciantes e usuários finais.
Na prática, a rastreabilidade requer um sistema centralizado e auditável que reúna declarações de fornecedores, registros de transações, status de certificação, fatores de emissão e evidências de apoio. Sem isso, as empresas acabam tendo que reconciliar os mesmos dados várias vezes, enfrentando mais constatações de auditorias ou correndo o risco de serem desqualificadas de programas de incentivo. Mesmo pequenas inconsistências em uma cadeia de suprimentos de vários níveis podem afetar lotes inteiros, gerando riscos financeiros e de reputação.
Tecnologia que possibilita a conformidade contínua por meio de uma arquitetura de dados unificada
O Marvin reúne regras de certificação, informações sobre fornecedores e requisitos de auditoria em um único sistema auditável. Isso reduz o trabalho manual e permite que as empresas mantenham a conformidade contínua. Ao combinar várias estruturas — ISCC, 2BSvs, RSB e RenovaBio —, as equipes podem lidar com obrigações sobrepostas sem prejudicar o andamento das operações.
Como explica Talita Asano, do departamento de Sucesso do Cliente da Marvin:
“Ao automatizar as verificações de origem, harmonizar os dados e preservar as evidências primárias, criamos uma fonte única e confiável de dados de certificação. Isso protege os pagamentos, a reputação e a continuidade dos negócios, ao mesmo tempo em que apoia o crescimento sustentável.”
Os resultados são concretos. Empresas como a Celena Alimentos, produtora brasileira de grãos especiais, reforçaram sua credibilidade no mercado e a confiança internacional ao utilizar o Marvin para otimizar a gestão de certificações, manter-se sempre pronta para auditorias e garantir relatórios de GEE rastreáveis e verificáveis em cadeias de suprimentos complexas.
Organizações que gerenciam múltiplas certificações podem reduzir riscos e manter a prontidão para auditorias centralizando dados e simplificando processos de conformidade. O Marvin oferece uma fonte única e confiável de informações de certificação, ajudando as equipes a rastrear a rastreabilidade, reduzir o trabalho manual e manter as cadeias de suprimentos totalmente verificáveis.


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O Regulamento da UE sobre Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) exige que as empresas que vendem produtos embalados na UE comprovem a origem, a composição e a reciclabilidade de suas embalagens, transformando a conformidade em um desafio de gestão de dados na cadeia de suprimentos.
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