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O boom global dos biocombustíveis: um momento estratégico para os produtores brasileiros de bioenergia

A demanda global por biocombustíveis está mudando. Os governos estão aumentando as cotas de mistura, as metas de descarbonização do setor de transportes estão se tornando cada vez mais rigorosas e os compradores de combustível buscam volumes maiores de etanol certificado de baixo carbono.

Os biocombustíveis estão se tornando uma parte cada vez mais importante do mix energético global

A bioenergia já é a maior fonte de energia renovável do mundo, representando mais da metade do consumo global de energia renovável, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). A demanda continua a crescer nos mercados de transporte, aviação e combustíveis industriais.

O relatório “Renewables 2025” da AIE projeta que o consumo de biocombustíveis líquidos aumentará de 2,3 para 6,0 milhões de barris de petróleo equivalente por dia até 2030, representando um crescimento de mais de 160% nesse período. Espera-se que a bioenergia seja responsável pela maior parte da expansão dos combustíveis renováveis em nível global durante a década. Esse crescimento está sendo impulsionado tanto pela regulamentação quanto pela demanda do mercado.

Os países estão aumentando as exigências de mistura obrigatória de biocombustíveis como parte de estratégias mais amplas de redução de emissões. Essas exigências afetam diretamente os volumes de consumo de combustível, pois obrigam os distribuidores de gasolina e diesel a incluir porcentagens mínimas de combustíveis renováveis na matriz energética nacional, conforme mostra o gráfico abaixo.

O Brasil implementou a E30 em 2025, aumentando a mistura de etanol na gasolina para 30%, com discussões sobre a E32 já em andamento. A Índia continua avançando rumo à adoção da E20 na maior parte do seu mercado de combustíveis. A União Europeia está tornando mais rigorosos os requisitos para combustíveis renováveis no âmbito da RED III, enquanto os Estados Unidos mantêm níveis de mistura de E10 a E15 sob a estrutura do RFS.

Mesmo aumentos relativamente pequenos na cota de etanol se traduzem em um aumento substancial na demanda por combustível. Só a transição do Brasil do E27 para o E30 adicionou, segundo estimativas, entre 2 e 2,7 bilhões de litros à demanda anual por etanol.

O mercado europeu de combustíveis renováveis, cada vez mais restrito, está criando um ambiente favorável para as exportações brasileiras

O mercado europeu de combustíveis renováveis está dependendo cada vez mais do etanol importado. A Comissão Europeia prevê que a demanda por etanol renovável continue crescendo até 2030, à medida que os Estados-Membros implementam as metas da Diretiva de Energias Renováveis III (RED III). Ao mesmo tempo, as condições de oferta na Europa se tornaram mais restritas em 2025, devido à redução da produção e ao aumento da demanda impulsionada pelas metas obrigatórias.

De acordo com a Argus Media, os preços do etanol na Europa atingiram máximas de vários anos ao longo de 2025, à medida que os participantes do mercado reagiram à redução da oferta e ao aumento da demanda impulsionada por metas regulatórias.

O Brasil entra nesse mercado com duas vantagens estruturais.

O primeiro é a escala de produção. O Brasil possui uma das maiores indústrias de etanol do mundo, apoiada por uma infraestrutura madura de cana-de-açúcar e uma produção com intensidade de carbono relativamente baixa. A região Centro-Sul encerrou a safra de 2025/26 com aproximadamente 611 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processada, mantendo uma forte produção de etanol.

A segunda vantagem é o acesso ao mercado. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor provisoriamente em maio de 2026 e estabeleceu contingentes tarifários preferenciais para as exportações brasileiras de etanol para a UE.

Para os compradores europeus de combustíveis, o etanol brasileiro representa cada vez mais uma das fontes comercialmente mais viáveis de combustível importado de baixo carbono.

Uma oportunidade imperdível para o etanol brasileiro

As condições atuais do mercado criam uma janela de exportação relativamente restrita, mas atraente, para os produtores brasileiros.

Os Estados Unidos continuam sendo um destino atraente para combustíveis renováveis no âmbito do RFS, embora futuras mudanças no tratamento de créditos para matérias-primas importadas possam reduzir gradualmente parte dessa vantagem após 2027.

Para os produtores brasileiros, a combinação atual entre o crescimento da demanda europeia e condições econômicas de exportação ainda favoráveis abre uma rara oportunidade comercial em diversos mercados de combustíveis regulamentados.

Entendendo os requisitos de certificação de biocombustíveis

À medida que o comércio internacional de biocombustíveis se expande, os requisitos de certificação estão se tornando cada vez mais diretamente ligados à competitividade comercial.

Os mercados europeus de combustíveis exigem cada vez mais reduções comprovadas de gases de efeito estufa, documentação sobre a origem das matérias-primas, conformidade com as normas de uso da terra e sistemas de cadeia de custódia auditáveis. Normas como a ISCC EU tornaram-se fundamentais para o acesso ao mercado no âmbito da RED III, enquanto a Bonsucro continua ganhando relevância nas cadeias de abastecimento da cana-de-açúcar.

Essa mudança já está afetando os fluxos comerciais. Entre 2022 e 2025, as exportações de etanol dos Estados Unidos para a União Europeia aumentaram substancialmente, enquanto as exportações brasileiras diminuíram. A preparação para a certificação e o alinhamento em termos de conformidade tornaram-se importantes fatores de diferenciação entre os fornecedores que disputam o acesso aos mercados europeus.

O gerenciamento desses requisitos torna-se operacionalmente complexo para os produtores que lidam com várias certificações simultaneamente. Cálculos de emissões, declarações de fornecedores, registros de transações, evidências de auditoria e documentação de rastreabilidade costumam estar distribuídos por sistemas desconectados e fluxos de trabalho manuais.

Preparando a certificação de edifícios em grande escala

Para os produtores que exportam para mercados regulamentados de combustíveis, a gestão da certificação está se tornando cada vez mais parte integrante da infraestrutura operacional, em vez de uma atividade periódica de conformidade.

O Marvin centraliza os requisitos do ISCC, Bonsucro, RSB e RenovaBio em um sistema unificado e pronto para auditoria. Ao consolidar dados de fornecedores, registros de emissões, documentação de rastreabilidade e comprovantes de certificação em um único ambiente, as empresas podem gerenciar várias estruturas sem duplicar esforços operacionais.

Os produtores mais bem posicionados para a próxima fase do comércio de etanol serão aqueles que combinarem escala de produção com cadeias de abastecimento comprovadas, rastreáveis e em conformidade com as certificações.

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